Biblio Portal - O Ponto de Encontro da Informação

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...:: Quarta-feira, Dezembro 14, 2011 ::...


Impressão de classificação etária em livros poderá ser obrigatória

Em análise na Câmara, o Projeto de Lei 1936/11, do deputado Jefferson Campos (PSB-SP), obriga as editoras a imprimir a classificação etária na capa dos livros. A classificação será realizada pelo órgão competente da administração pública federal, e a obra deverá ser analisada integralmente, determina o texto.

Jefferson Campos destaca que pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro, em 2008, apontou que os maiores leitores do País são crianças e jovens. De acordo com o deputado, enquanto na média da população o índice de leitura é de 1,3 livro por ano, junto ao público infanto-juvenil chega a 4,7.

Diante desse dado, Campos afirma ser “preciso cuidar para que a leitura que chega às mãos desses jovens seja adequada à sua idade e à sua maturidade emocional e intelectual”.

Tramitação
A proposta foi encaminhada para análise conclusiva das comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

PL-1936/2011
Reportagem- Maria Neves
Edição- Mariana Monteiro

Fonte: Câmara dos Deputados


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...:: Quarta-feira, Novembro 02, 2011 ::...




Informações sobre as Eleições 2011

Edital das Eleições 2011

Modelo de documentos usados no processo eleitoral dos Conselhos Regionais: Anexos da Resolução CFB n. 88


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...:: Sexta-feira, Setembro 09, 2011 ::...


Publicado Decreto sobre o Plano Nacional do Livro e da Leitura

Saiu, dia 05 de setembro, a publicação do Decreto nº 7.559, de 1º/9/2011, que “Dispõe sobre o PNLL, no Diário Oficial da União nº 171, de 5/9/2011, seção 1 páginas 4 e 5.

Decreto 7559 PNLL publicado página 04

Decreto 7559 PNLL publicado página 05


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...:: Sexta-feira, Junho 24, 2011 ::...


Assista: Bibliotecário (Espaço Documentário/TV Justiça)

Nossa profissão foi abordada no programa "Espaço Documentário", exibido pela TV Justiça, no dia 30 de maio. Realizado pelo Núcleo de Memória Histórica do Supremo Tribunal Federal, com a coordenação editorial de Pedro Del Picchia, o programa, de cerca de 30 minutos, abordou as diversas funções e papéis do bibliotecário, presente nas comunidades, bibliotecas, universidades, escolas e organizações.

Participaram: Evanda Verri Paulino CRB-8/1273, presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo (CRB-8), Katharina Berg CRB-8/4980, diretora da América Latina da Associação Internacional de Biblioteconomia Escolar (IASL), Regina Fazioli CRB-8/2491, coordenadora da Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo, Valéria Valls CRB-8/5243, coordenadora da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FESPSP, e Yara Rezende CRB-8/2725, gerente de informação da Natura Cosméticos, além de vários bibliotecários.


Assista ao programa:


Parte 1:

http://www.youtube.com/watch?v=vnLwXxGQoAE&feature=channel_video_title


Parte 2:

http://www.youtube.com/watch?v=RaGL4khg2AU&feature=channel_video_title


Parte 3:

http://www.youtube.com/watch?v=j2N4Nq-kUsE&feature=channel_video_title

Fonte: TV Justiça / CFB.

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O Brasil em Nova Orleans

A Conferência e exposição da Associação dos bibliotecários norte–americanos (ALA) começa nesta quinta-feira, dia 23, em Nova Orleans, ao som de trompetes e trombones. Esta é a primeira vez o editoras brasileiras participam da feira americana voltada a bibliotecários e o estande foi organizado pelo projeto Brazilian Publishers, uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro e a Apex-Brasil.

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) apóiam institucionalmente a participação brasileira. Uma extensa agenda de palestras e leituras também integra a programação, que segue até 28 de junho na cidade americana.

Fonte: PublishNews

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Conheça o Bibliotecário

XXIV CBBD


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O Livro e A Internet: Cinco mitos sobre a idade da informação

Reproduzido de The Chronicle of Higher Education,17/4/2011; este texto baseia-se numa palestra que o autor fez em março sobre o "Futuro das Humanidades", no Council of Independent Colleges Symposium, em Washington; tradução de Jô Amado

A confusão em torno da natureza da chamada idade da informação levou a uma situação de falsa consciência coletiva. Não é culpa de ninguém, e sim, um problema de todos porque ao tentarmos nos orientar no ciberespaço, frequentemente apreendemos coisas de forma errada e esses equívocos se disseminam tão rapidamente que são incorrigíveis. Considerados em seu conjunto, constituem a origem de uma proverbial não-sabedoria. Cinco deles se destacam:

1. "O livro morreu." Errado: são impressos a cada ano mais livros que no ano anterior. Até agora, foram publicados um milhão de novos títulos em 2011, no mundo inteiro. Na Grã-Bretanha, em um único dia – a "super quinta-feira", 1º de outubro de 2010 – foram publicadas 800 novas obras. Em relação aos Estados Unidos, os números mais recentes só cobrem 2009 e não fazem distinção entre livros novos e novas edições de livros antigos. Mas o número total – 288.355 – sugere um mercado saudável e o crescimento em 2010 e 2011 provavelmente será muito maior. Além disso, estes números, fornecidos por Bowker, não incluem a explosão na produção de livros "não-tradicionais" – mais 764.448 títulos produzidos por edições dos próprios autores ou editados, a pedido, por microempresas. E o negócio de livros também está crescendo em países emergentes, como a China e o Brasil. Qualquer que seja a forma de avaliar, a população de livros está crescendo, não decrescendo e, com certeza, não está morrendo.

Deterioração dos textos digitais

2. "Entramos na idade da informação." Este anúncio normalmente é entoado com solenidade, como se a informação não existisse em outras épocas. Mas toda era é uma era da informação, cada uma à sua maneira e de acordo com a mídia disponível nesse momento. Ninguém negaria que os modos de comunicação estão mudando rapidamente, talvez tão rapidamente quanto na época de Gutenberg, mas é um equívoco interpretar essa mudança como sem precedentes.

3. "Agora, toda a informação está disponível online." O absurdo dessa afirmação é óbvio para quem quer que já tenha feito pesquisa em arquivos. Somente uma mínima fração do material arquivado já foi lido alguma vez, muito menos foi digitalizado. A maioria das decisões judiciais, assim como a legislação – tanto estadual, quanto federal –, nunca apareceu na web. A imensa divulgação de regulações e relatórios por órgãos públicos permanece, em grande parte, inacessível aos cidadãos a quem diz respeito. O Google avalia que existem no mundo 129.864.880 livros e afirma ter digitalizado 15 milhões deles – ou cerca de 12%. Como conseguirá preencher a lacuna se a produção continuar a se expandir a uma média de um milhão de novas obras por ano? E como será divulgada maciçamente, e online, a informação em formatos não-impressos?

Metade dos filmes realizados antes de 1940 sumiu. Qual o percentual do atual material audiovisual que sobreviverá, ainda que numa aparição fugaz, na web? Apesar dos esforços para preservar os milhões de mensagens trocadas por meio de blogs, e-mails e instrumentos manuais, a maior parte do fluxo diário de informação desaparece. Os textos digitais deterioram-se muito mais facilmente que as palavras impressas em papel. Brewster Kahle, o criador do Internet Archive, avaliava, em 1997, que a média de vida de uma URL era de 44 dias. Não só a maioria das informações não aparece online, como a maioria das informações que alguma vez apareceu provavelmente se perdeu.

Transição para a ecologia digital

4. "As bibliotecas são obsoletas." Biblioteconomistas do país inteiro relatam que nunca tiveram tantos clientes. Em Harvard, nossas salas de leitura estão cheias. As 85 bibliotecas vinculadas ao sistema da Biblioteca Pública de Nova York estão abarrotadas de gente. As bibliotecas fornecem livros, vídeos e outro tipo de material, como sempre fizeram, mas também preenchem novas funções: acesso a informação para pequenas empresas, ajuda nos deveres de casa e atividades pós-escolares das crianças e informações sobre emprego para desempregados (o desaparecimento dos anúncios "precisa-se" nos jornais impressos tornou os serviços da biblioteca fundamentais para os desempregados).

Os biblioteconomistas atendem às necessidades de seus clientes de muitas maneiras novas, principalmente guiando-os através dos mistérios do ciberespaço para material digital relevante e confiável. As bibliotecas nunca foram armazéns de livros. Embora continuem a fornecer livros no futuro, também funcionarão como centros nervosos para a informação digitalizada – tanto em termos de vizinhança, quanto dos campi universitários.

5. "O futuro é digital." Relativamente verdadeiro, mas equivocado. Em 10, 20 ou 50 anos, o ambiente da informação será esmagadoramente digital, mas a predominância da comunicação eletrônica não significa que o material impresso deixe de ser importante. Pesquisa feita na História do Livro, disciplina relativamente recente, demonstrou que novos modos de comunicação não substituem os velhos – pelo menos no curto prazo. Na verdade, a publicação de manuscritos se expandiu após Gutenberg e continuou progredindo por três séculos. O rádio não destruiu o jornal, a televisão não matou o rádio e a internet não extinguiu a TV. Em cada caso, o ambiente de informação se tornou mais rico e mais complexo. É essa a experiência por que passamos nesta fase crucial de transição para uma ecologia predominantemente digital.

Leituras descontínuas

Menciono esses equívocos porque acho que eles atrapalham a compreensão das mudanças no ambiente da informação. Fazem com que as mudanças pareçam muito dramáticas. Apresentam as coisas fora de seu contexto histórico e em nítidos contrastes – antes e depois, e/ou, preto e branco. Uma visão mais sutil recusaria a noção comum de que livros velhos e e-books ocupam os extremos opostos e antagônicos num espectro tecnológico. Devia-se pensar em livros velhos e e-books como aliados, e não como inimigos. Para ilustrar esta afirmação, gostaria de fazer algumas breves observações sobre o mercado de livros – ler e escrever.

No ano passado, a venda de e-books (textos digitalizados criados para leitura manual) duplicou, respondendo por 10% das vendas no mercado de livros. Este ano, espera-se que atinjam 15%, ou mesmo 20%. Mas há indícios de que a venda de livros impressos também aumentou no mesmo período. O entusiasmo pelos e-books pode ter estimulado a leitura em geral e o mercado, como um todo, parece crescer. Novos leitores eletrônicos de livros, que operam como o ATM (protocolo de telecomunicações), reforçaram essa tendência. Um cliente entra numa livraria e solicita um texto digitalizado de um computador. O texto é baixado para o leitor eletrônico, impresso e entregue na forma de uma brochura em quatro minutos. Esta versão do serviço "impresso-por-pedido" mostra como o antiquado manuscrito pode ganhar vida nova com a adaptação à tecnologia eletrônica.

Muitos de nós nos preocupamos com a diminuição da leitura profunda, reflexiva, de ponta a ponta do livro. Deploramos a guinada para blogs, fragmentos de texto e tuítes. No caso da pesquisa, poderíamos reconhecer que os instrumentos de busca têm vantagens, mas nos recusamos a acreditar que eles possam conduzir ao tipo de compreensão que se adquire com o estudo contínuo de um livro.

Seria verdade, entretanto, que a leitura profunda diminuiu, ou mesmo que ela sempre tenha prevalecido? Estudos feitos por Kevin Sharpe, Lisa Jardine e Anthony Grafton provaram que os humanistas dos séculos 16 e 17 muitas vezes faziam leituras descontínuas, procurando passagens que poderiam ser usadas nas ácidas batalhas de retórica em juízo, ou pedaços de sabedoria que podiam ser copiados para livros banais e consultados fora de seu contexto.

Informação histórica

Em seus estudos sobre cultura entre pessoas comuns, Richard Hoggart e Michel de Certeau enfatizaram o aspecto positivo de uma leitura intermitente e em pequenas doses. Em sua opinião, cada leitor comum se apropria de livros (incluindo panfletos e romances de paixão) à sua maneira, induzindo-lhes o significado que faz sentido para sua compreensão. Longe de serem passivos, esses leitores, segundo Certeau, agem como "plagiadores", pescando um significado daquilo a que têm acesso.

A situação da escrita parece tão ruim quanto a da leitura para aqueles que só veem o declínio, com o advento da internet. Um deles lamenta-se: os livros costumavam ser escritos para o leitor comum; agora, eles são escritos pelo leitor comum. É evidente que a internet estimulou a autopublicação, mas o que há de errado nisso? Muitos escritores, com coisas importantes a dizer, nunca haviam conseguido uma editora para publicá-los – e quem achar seu trabalho de pouco valor, pode simplesmente ignorá-lo.

A versão online das publicações pagas pelo autor pode contribuir para sobrecarregar as informações, mas os editores profissionais se sentirão aliviados com esse problema e continuarão fazendo o que sempre fizeram – selecionado, editando, diagramando e negociando as melhores obras. Terão que adaptar seus talentos à internet – mas já o fazem – e podem tirar vantagem das novas possibilidades oferecidas pela nova tecnologia.

Para citar um exemplo de minha experiência, recentemente escrevi um livro impresso com um suplemento eletrônico, Poetry and the Police: Communication Networks in Eighteenth-Century Paris (Harvard University Press). Descreve como as canções de rua mobilizaram a opinião pública numa sociedade amplamente analfabeta. A cada dia, os parisienses improvisavam novas letras para antigas melodias e as canções fluíam com tamanha força que precipitaram uma crise política em 1749. Mas como é que as melodias alteravam seu significado? Depois de localizar as anotações musicais de uma dúzia de canções, pedi a uma artista de cabaré, Hélène Delavault, para gravá-las para o suplemento eletrônico do livro. Assim, o leitor pode estudar o texto das canções no livro ao mesmo tempo em que as escuta online. O ingrediente eletrônico de um antigo manuscrito torna possível explorar uma nova dimensão do passado, capturando seus sons.

Poderiam ser citados outros exemplos de como a nova tecnologia reforça velhos modos de comunicação, ao invés de miná-los. Não pretendo minimizar as dificuldades que enfrentam escritores, editores e leitores, mas acredito que uma reflexão com base na informação histórica poderia eliminar os equívocos que nos impedem de usufruir ao máximo da "idade da informação" – se assim a devemos chamar.

Fonte: Observatório da Imprensa - Jornal de Debates
Por Robert Darnton

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Ações decorrentes da Lei nº 12.244

PORTARIA Nº 2, DE 3 DE MARÇO DE 2011

Peça de Informação n.º 1.19.002.000003/2011-67.
Assunto: Universalização das bibliotecas nas instituições de ensino brasileiras, Lei 12.244 de 24 de Maio de 2010.
Síntese: Cumprimento da Legislação que obriga as instituições de ensino públicas e privadas de todo o sistema de ensino do Brasil a possuírem bibliotecas com pelo menos um título para cada aluno matriculado em seus acervos.
Representante: MPF.
Área de atuação: Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.
Data prevista para finalização: 03/ 09 / 2011

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, por intermédio da Procuradoria da República signatário, com fundamento nas disposições constitucionais e legais,
CONSIDERANDO que compete ao Ministério Público a defesa dos interesses difusos e coletivos, em especial do patrimônio público (art. 129, III, da Constituição da República Federativa do Brasil e art. 1º, IV, da Lei nº. 7.347/1985);
CONSIDERANDO que é função institucional do Ministério Público promover o inquérito civil público e a ação civil pública para a defesa de interesses difusos e coletivos, dentre os quais o patrimônio público, conforme expressamente previsto na Lei Orgânica do Ministério Público da União (LC nº 75, de 20.5.93, art. 6º, inc. VII, alínea "b");
CONSIDERANDO que nos termos do art. 2º, §6º da Resolução nº 23/2007 do CNMP, "o procedimento preparatório deverá ser concluído no prazo de 90 (noventa) dias, prorrogável por igual prazo, uma única vez, em caso de motivo justificável;
CONSIDERANDO que nos termos do art. 2º, §7º do mesmo dispositivo legal, "Vencido este prazo, o membro do Ministério Público promoverá seu arquivamento, ajuizará a respectiva ação civil pública ou o converterá em inquérito civil";
CONSIDERANDO o que dispõe no art. 4º, I a VI, §1º e §2º da Resolução nº 87/2006 do CSMPF, que regulamenta, no âmbito do Ministério Público Federal, a instauração e tramitação do Inquérito Civil (art. 6°, VII, da Lei Complementar n° 75/93 e art. 8°, § 1 °, da Lei n° 7.347/85);
CONSIDERANDO o que dispõe a Resolução nº 104 do CSMPF;
CONSIDERANDO que a presente Peça de Informação de nº 1.19.002.000003/2011-67 tem por objeto fiscalizar nos municípios o cumprimento da Lei 12.244/2010 pelas instituições de educação de nível superior e mantidas pela União e pelas instituições de educação criadas e mantidas pela iniciativa privada, integrantes do sistema público federal de ensino, nos moldes do art. 16 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB e ainda as instituições integrantes dos sistemas municipais e estaduais de ensino, nos termos dos artigos 17 e 18 da LDB, resolve:
Converter a Peça de Informação nº 1.19.002.0003/2011-67 em INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO, com idêntico objeto.
Como providências iniciais, DETERMINA-SE:
I - comunique-se a instauração à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, encaminhado-se cópia da presente portaria, por meio eletrônico, para publicação;
II - ficam designados os servidores desta Procuradoria para secretariar os trabalhos;
III - proceda-se à afixação de cópia da presente Portaria no quadro de avisos desta Procuradoria pelo prazo de dez dias;
IV - oficie-se às Secretarias de Educação de Estado e Secretarias Municipais de Educação solicitando que se manifestem sobre o cumprimento da legislação referida;
Cumpra-se.
PEDRO HENRIQUE OLIVEIRA CASTELO BRANCO
====================================================

Fonte: Diário Oficial da União Seção 1 - Nº 50, terça-feira, 15 de março de 2011- Pág.72



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Por que ninguém lê direito no Brasil

O país nunca se sai bem na mais importante avaliação internacional de leitura. O que fazer para mudar essa realidade – em 40 anos Camila Guimarães

“A escola subestima a capacidade de leitura do jovem e não enxerga o leitor que ele é” SIMONE ANDRÉ, do Instituto Ayrton Senna

DIVERSIFICAÇÃO

O professor Luis Junqueira em sua aula de leitura. Ele dá textos de gêneros diferentes, para os alunos aprenderem a interpretar melhor

A cada três anos, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) compara o desempenho de alunos de 15 anos de diversos países em três áreas do conhecimento: leitura, ciências e matemática. Na próxima semana, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) vai divulgar como andam as habilidades de leitura dos jovens e até que ponto eles conseguem compreender um texto, localizar e associar informações, fazer um raciocínio lógico sobre elas e tirar conclusões. A prova foi realizada no ano passado por cerca de 50 mil alunos sorteados em 990 escolas públicas e particulares do país. A chance de o Brasil ficar bem colocado nesse ranking é diminuta. Em 2000, nossos alunos ficaram em último lugar. O país passou para a 37a posição em 2003, entre 41 nações. Em 2006, ficou em 48o entre 56 participantes, com uma nota pior que a anterior. Não há motivos para esperar que no Pisa 2009 o Brasil consiga uma posição melhor.

Não é que não tenhamos feito alguns avanços – o maior deles foi a universalização do ensino fundamental. Mas estamos longe de uma educação de qualidade, que inclui inculcar nas pessoas o hábito da leitura e desenvolver nelas a capacidade de compreender textos complexos. Para atingir essa meta, a escola precisa avançar muito. Não só ela, a sociedade também. Em alguns dos países líderes do ranking, como Finlândia e Canadá, o hábito de leitura vem de casa. Os pais influenciam, incentivam progressos nessa área, dão exemplo para seus filhos ao gastar tempo e energia com atividades culturais. A estrutura no país também é precária. O Brasil tem uma biblioteca pública para cada 33 mil habitantes (quase 70% das escolas públicas nem sequer têm uma). O brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano. Nos Estados Unidos e na França são dez. Na Finlândia, o país que mais ganhou o Pisa, 21.

Isso leva a crer que não devemos esperar grandes melhoras na leitura de um Pisa para o outro, e sim de uma geração para a outra. Como fez a Coreia do Sul. Há 60 anos, o país tinha altos índices de analfabetismo e quase metade das crianças e jovens fora da escola. Eles instauraram uma reforma educacional há 40 anos, apostando na leitura como base. Bibliotecas exclusivas para crianças, financiadas por empresas e fundações, tomaram conta de Seul. Uma das maiores redes, a Crianças e Bibliotecas, surgiu da iniciativa de um grupo de mães, preocupadas com o futuro dos filhos. Em 2006, a Coreia tomou da Finlândia o primeiro lugar em leitura no Pisa.

O ponto inicial desse processo é a escola. Nossos colégios não estão preparados para formar leitores – sejam eles de clássicos da literatura, gibis, jornais ou blogs na internet. Dentro das salas, o desafio começa pelos professores. Sem formação adequada, eles têm de ensinar o que não sabem. “Para que o aluno aprenda a ler, o professor precisa dominar a técnica da leitura”, afirma Mary Elizabeth Cerutti Rizzatti, do Núcleo de Estudos em Linguística Aplicada e professora da Universidade Federal de Santa Catarina. “Mas poucos tiveram a oportunidade de desenvolver a habilidade de ler um contrato das Casas Bahia ou um poema de Drummond.”

Quando os educadores não são eles próprios hábeis na interpretação de textos, pipocam projetos de leitura pouco eficientes. As rodas de leitura de livros literários, tão comuns em classes de qualquer idade, por exemplo. É claro que essa atividade é importante, especialmente para crianças, mas só ela não garante que o aluno entenda a questão de uma prova de matemática ou ciências, ou que se torne um bom leitor. Uma das maiores dificuldades é garantir que um leitor de conto de fadas se transforme em leitor de um texto de revista ou científico. Mas poucas escolas têm projetos de leitura para textos diferentes. “Uma criança que se dá bem lendo narrativas ou contos pode ser um desastre na hora de ler um texto informativo”, afirma Débora Vaz, diretora do Colégio Castanheiras, de São Paulo. Lá, a leitura em sala de aula é feita com a mediação do professor e com prioridade para ensinar gêneros diferentes. “O aluno mais fraco tem problemas em identificar o tipo de texto que lê, qual é a mensagem que ele passa e para quem”, diz Luís Junqueira, professor de português do 6º ano.

A importância de ter habilidade de ler textos diferentes foi uma das principais razões de a Universidade de Campinas (Unicamp) mudar o formato da redação de seu vestibular. Neste ano, os candidatos a uma vaga na universidade tiveram de escrever três tipos de texto, de gêneros diferentes. “Errar o formato dos textos é mais grave que errar gramática”, diz Renato Pedrosa, coordenador do vestibular. “Infelizmente, a maioria não domina a leitura. E só quem tem essa habilidade vai se dar bem na universidade.”

Um dos tipos de leitura mais negligenciados pelos professores é justamente o mais cobrado em bons vestibulares ou pelo próprio Pisa: os enunciados informativos das questões. Por isso algumas escolas estão tirando a exclusividade do ensino da leitura dos professores de português – e dividindo a responsabilidade com o resto do corpo docente. Como fez uma escola pública de ensino médio s americana, a Brockton, do Estado de Massachusetts. Seus alunos, oriundos de comunidades carentes, tinham um péssimo desempenho nas avaliações estaduais e altas taxas de evasão (problemas parecidos com os do ensino médio brasileiro). Há dez anos, um grupo de professores começou uma campanha para estimular a leitura e a escrita em todas as disciplinas. Nos últimos dois anos, a escola ficou entre as 10% melhores de seu Estado.

Pela falta de estímulos em casa, no Brasil as escolas ainda assumem a tarefa extra de tornar a leitura interessante, principalmente para os adolescentes. E de novo se mostram inábeis: limitam a oferta de leituras a obras clássicas, difíceis de digerir, e obrigatórias. “A escola subestima a capacidade de leitura do jovem e não enxerga que tipo de leitor ele é”, diz Simone André, coordenadora da área de Educação Complementar e Juventude do Instituto Ayrton Senna, que trabalha com projetos de leitura em 200 escolas públicas de São Paulo. Na Finlândia não existe leitura obrigatória. Os alunos decidem com os professores quais livros vão ler e em quanto tempo.

Celso Renato Teixeira, diretor da escola estadual Luis Gonzaga Travassos, na periferia de São Paulo, descobriu em 2005 que seus alunos de 5a a 8a série gostavam de ler. Mas não o que a escola mandava. Um ano antes, quando chegou à escola, Teixeira deparou com um alto índice de analfabetismo funcional nas séries finais do ensino fundamental. Teve de dar prioridade a isso. Em seguida, pensou no projeto de leitura. Os alunos foram convidados a escolher na biblioteca da escola os livros de que mais gostavam. Na mesma época, a garotada visitou a Bienal do Livro em São Paulo e de novo os gostos pessoais ficaram perceptíveis. “A maioria escolheu livros que falavam sobre adolescência, namoro, relação com os pais”, diz Teixeira.

ESTÍMULO

Crianças e jovens no espaço infantil de uma biblioteca na Coreia do Sul. Lá, o investimento em leitura deu retorno – em quatro décadas

Esses temas viraram iscas para os alunos. Aos poucos, a escola incentivou a passagem para outros tipos de leitura. Hoje, a biblioteca é abastecida com livros que os próprios alunos escolhem. Segundo Teixeira, alunos que antes não sabiam ler frases simples agora fazem resenhas dos livros – e os classificam com estrelas para recomendá-los aos colegas, em uma feira organizada toda semana. “Só entram os de quatro e cinco estrelas”, afirma Teixeira. Em cinco anos, os empréstimos na biblioteca aumentaram 79% e o rendimento da Travassos aumentou 33% na avaliação estadual.

O esforço dentro das escolas não basta. É mais difícil seduzir os alunos se eles não encontram fora do colégio (em casa, entre os amigos, na biblioteca do bairro) o mesmo ambiente de estímulo ao conhecimento. Eles acabam vendo o livro como uma “coisa de escola”. E, como a escola é uma obrigação, ler passa a ser considerado chato. Por isso, muitas escolas adotam projetos que envolvem os pais dos alunos. Há seis anos, a escola estadual Astor Vasques Lopes, em Itapetininga, interior de São Paulo, incluiu em seu projeto de leitura uma lição de casa para os pais. Os alunos do 1o ao 5o ano levam o livro para casa para ler junto com alguém da família. Pode ser o pai, a mãe, a avó. O importante é que quem leia faça um relatório sobre o livro, com suas impressões, e o mande para a professora. Com o filho matriculado na escola há pouco mais de um ano e meio, Roseli de Fátima Moreira diz que lê muito mais agora, depois de escrever relatórios e participar das rodas de leitura na escola. Ela diz ter comprado – e lido – por conta própria os dois primeiros livros da série Crepúsculo. “Eu me sinto mais estimulada.”

Os três casos citados nesta reportagem mostram avanços. Mas são progressos pontuais. Não há garantia de continuidade, seja pela falta de recursos ou por uma possível troca no grupo de professores. Mesmo colégios de elite, particulares, sofrem com a ausência de uma cultura da sociedade que estimule as crianças e os jovens a ler. Por isso, o resultado do Pisa 2009 deve ser similar ao de 2006. Se fizermos tudo certo (investir nas escolas, valorizar os professores, aumentar a carga horária, fornecer livros e material...), poderemos melhorar essa nota nos próximos anos. E só assim daremos condições para que a próxima geração dê o salto de que o país precisa para entrar na sociedade do conhecimento.

Fonte: Revista Época e CFB


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