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Blog sobre Biblioteconomia, Ciência da Informação, Gestão da Informação, Documentação, Arquivologia, Museologia e Tecnologia da Informação, além de muita informação em geral. (Desde 01/03/2004)
Como funciona a reciclagem de computadores?
Todos os componentes de um micro podem ser reaproveitados, evitando que afetem o meio ambiente
por Paula Sato
Um depósito de computadores velhos.
Foto: Raul Junior
O lixo eletrônico é um dos grandes problemas da atualidade. Segundo dados do Greenpeace, por ano, são produzidos até 50 milhões de toneladas desse tipo de dejeto no mundo inteiro. E o volume vem crescendo em 5% ao ano na Europa. A questão principal não é a só que esse lixo ocupe muito espaço, o grande perigo é que a maior parte dos aparelhos eletrônicos usa em sua fabricação metais tóxicos, como mercúrio, chumbo e cádmio. "Quando um computador vai para o aterro sanitário, essas substâncias reagem com as águas da chuva e contaminam os afluentes e o solo", alerta Tereza Cristina Carvalho, diretora do Centro de Computação Eletrônica da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Centro de Descarte e Reciclagem de Lixo Eletrônico da instituição.
A princípio, todos os componentes do microcomputador e do monitor podem ser reciclados. Até mesmo as substâncias tóxicas, como o chumbo, são reaproveitadas na confecção de novos produtos, como pigmentos e pisos cerâmicos. "A ideia é que, além de evitar que o metal contamine o solo, ele volte para a linha de produção. Assim, não é preciso tirar mais minérios da natureza", afirma Tereza Carvalho. Porém, no Brasil, ainda é muito difícil conseguir reciclar um aparelho inteiro. O que acontece é que, em geral, as empresas são especializadas na reutilização de apenas um tipo de material, como placas, plástico ou metais. Assim, quando uma máquina chega a esses lugares, o que interessa é aproveitado e o restante tem destinação incerta. É por isso que a USP está implantando o primeiro centro público de reciclagem de lixo eletrônico, que deve entrar em funcionamento em agosto. Lá, a equipe vai fazer a separação dos materiais e destiná-los para as empresas especializadas, fazendo com que nada seja descartado. "Existe uma falta de consciência sobre esse assunto, mas temos de pensar que, só em 2008, foram vendidos 12 milhões de computadores e que, daqui a cinco anos, eles vão virar sucata", diz a professora.
No Brasil, a questão da destinação de aparelhos elétricos começou a ser discutida só agora, com um projeto de lei aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo e que prevê que os fabricantes, importadores e comerciantes sejam responsáveis por recolher e destinar o lixo eletrônico. Porém, Tereza Carvalho explica que a iniciativa é válida, mas não resolve o problema, já que trata apenas de computadores, monitores e produtos magnetizados. Sistemas de rede e parques de telefonia ficaram de fora. "Na Europa, que está bem avançada no assunto, desde 2002, existem leis que obrigam os fabricantes a se responsabilizar por todos os eletrônicos produzidos. Além disso, só podem ser fabricados micros verdes", diz a professora. Para um computador ser considerado verde, ele precisa ter um sistema de economia de energia, ser produzido dentro de padrões de gestão ambiental e não ter chumbo em sua composição. No Brasil, algumas marcas já oferecem essa opção, mas o mercado ainda é muito pequeno. "É muito importante divulgar o problema e alertar os consumidores para, primeiro, nunca darem aparelhos velhos aos sucateiros, que só vão retirar as partes que podem vender, o resto jogam fora. O ideal é que os usuários deveriam comprar apenas micros verdes. Se houver a demanda, todas as empresas vão ter que se adequar", finaliza Tereza Carvalho.
Um novo prédio está sendo construído na USP para abrigar o projeto Brasiliana, que soma o acervo da biblioteca de Mindlin à Biblioteca do Instituto de Estudos Brasileiros, o IEB. O projeto é de Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb e vai abrigar, em alas diferentes, as duas grandes bibliotecas - a do IEB, construída desde 1962, com 140 mil volumes, e a Biblioteca Guita e José Mindlin, com 40 mil volumes, e que era a maior biblioteca privada do brasil até a sua doação para a USP. O prédio será também a base da Biblioteca Brasiliana Digital, que segundo o site do projeto, já se filia a três dos principais documentos internacionais, em formato de acordos, protocolos e declarações de princípios, para as instituições do gênero. Conheça os 10 princípios da Brasiliana Digital:
1. Uma biblioteca digital como instrumento de uma política nacional de produção de conteúdos para a rede mundial de computadores, contribuindo para a redefinição positiva da presença da língua portuguesa e da cultura nacional.
2. Compromisso com a formação e preservação de uma brasiliana para o Brasil;
3. Uma coleção em crescimento: na dimensão particular da Brasiliana USP, a conservação da memória da cultura brasileira articula-se, necessariamente, a uma política de expansão do acervo e a rejeição de um modelo custodial de biblioteca;
4. Uma biblioteca digital para a difusão de uma coleção original de objetos documentais: preservação do acervo / acesso aos originais / reprodutibilidade;
5. Uma biblioteca digital concebida como instrumento da cultura nacional: a formação do acervo digital deve estar orientada por uma política de acesso universal (orientação para o contexto-usuário). O usuário (e pensamos em termos polissêmicos) tem centralidade na construção deste acervo digital;
6. Uma biblioteca digital como instrumento da educação nacional: compromisso com a produção de materiais didáticos, com a formação de quadros em todos os níveis, desde o ensino fundamental até a pesquisa avançada;
7. Uma biblioteca digital pública: difusão do acervo, acesso universal (preservados os direitos do autor) e democratização da cultura. Compromisso com a democratização de nossa experiência: cursos de treinamento, assessoria a outros projetos, convênios e parcerias.
8. Adesão à Declaração de Berlim sobre o Acesso Livre ao Conhecimento nas Ciências e Humanidades (Berlin Declaration on Open Access to Knowledge in the Sciences and Humanities), de 2003: “acesso livre significa a livre disponibilização na Internet de literatura de caráter científico, permitindo a qualquer utilizador pesquisar, consultar, descarregar, imprimir, copiar e distribuir, o texto integral de artigos e outras fontes de informação científica”;
9. Adesão aos protocolos da Iniciativa Open Archives (OAI-PMH - Open Archives Initiative Protocol for Metadata Harvesting) – protocolo desenvolvido para permitir que os metadados sejam acessíveis por diversos serviços de busca e compartilhados pelos arquivos digitais; garantia de interoperabilidade (protocolo Z39.50);
10. Adesão aos princípios do software livre (open source).
Curso de Museologia da UFPA é o único no Norte e Nordeste
A Universidade Federal do Pará é a quarta instituição de ensino superior brasileira e a única das regiões Norte e Nordeste a ofertar uma graduação em Museologia. As 30 vagas do novo curso serão disputadas no próximo Processo Seletivo Especial da UFPA, que está com inscrições abertas até 14 de maio e prova agendada para o dia 7 de junho.
No Brasil todo, segundo levantamento do Ministério da Cultura, existem dois mil museus, responsáveis pela produção de cerca de 17 mil postos de trabalho. Mais de 80% dos profissionais que atuam nesses estabelecimentos, porém, não têm formação específica na área. Somente na Região Norte, há 122 museus e apenas 28 profissionais em atuação; destes, muito poucos são museólogos.
O curso de Bacharelado em Museologia em Belém surgiu como proposta da Faculdade de Artes Visuais (FAV), do Instituto de Ciências da Arte (ICA/UFPA). O projeto pedagógico da graduação tem sido pensado desde a década de 1990, em parceria com um grupo de profissionais ligados ao Conselho Regional de Museologia (COREM – 6ª Região). A criação do curso se tornou realidade com os recursos do Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI.
“A intenção é formalizar e qualificar a atuação profissional na área e chamar a atenção da sociedade para esse importante campo de produção de conhecimento tão carente de profissionais”, afirma o professor Neder Charone, diretor da FAV. Os museólogos atuam na conservação, estudo e comunicação do patrimônio cultural e natural; levantamento, catalogação e restauração de acervos; planejamento e administração de exposições; gerenciamento e organização de atividades culturais e programação de museus, dentre outras habilidades.
Ainda de acordo com Charone, a demanda de profissionais com essas competências em todo o Brasil, mas principalmente na região Norte, e em especial em cidades do interior, é enorme. No Pará, por exemplo, em cidades como Marabá e alguns municípios da Ilha do Marajó, muitas descobertas históricas, como sítios arqueológicos, não têm espaço para se fazerem conhecidas por falta de profissionais que a manipulem adequadamente. Na capital, Belém, há, ao todo, 11 museus, sendo o Museu Paraense Emílio Goeldi o primeiro do Estado, fundado em 1866.
O curso de Museologia da UFPA tem a duração de quatro anos, divididos em oito semestres. A primeira turma seguirá caráter intervalar, a fim de atender as demandas das comunidades do interior do Estado e demais cidades da região Norte do Brasil, como Manaus (AM) e Macapá (AP). Os aprovados no PSE já iniciarão as aulas no mês de julho de 2009 em regime intensivo. Os demais semestres ocorrem nos meses de janeiro, fevereiro e dezembro.
E para os interessados em fazer parte do quadro de docentes da nova graduação, as inscrições para o concurso de professores-efetivos na área estão abertas até 8 de maio. Mais informações, no site do ICA.
Biblioteca Digital Mundial oferece acesso livre a conteúdo único na web
Biblioteca Alexandrina deu suporte técnico à BDM
Organizada pela Unesco e 32 instituições parceiras, Biblioteca Digital Mundial (BDM) oferece acesso livre e gratuito a materiais únicos de bibliotecas e arquivos de todo o mundo. BDM também será apresentada em português.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e 32 instituições parceiras lançam na terça-feira (21/04) a Biblioteca Digital Mundial (BDM), uma página na internet que oferece gratuitamente materiais culturais únicos de bibliotecas e arquivos de todo o mundo. A página será apresentada nas seis línguas da ONU e também em português, graças à participação do Brasil como parceiro fundador.
Os conteúdos que serão exibidos incluem, entre outros, manuscritos científicos árabes da Biblioteca e Arquivo Nacionais do Egito; a famosa Bíblia do Demônio do século 13, da Biblioteca Nacional da Suécia; trabalhos de caligrafia árabe, persa e turca de coleções da Biblioteca do Congresso dos EUA e fotos históricas cedidas pela Biblioteca Nacional do Brasil.
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos propôs à Unesco a criação da BDM pela primeira vez em 2005. Para desenvolver o projeto, a equipe da biblioteca norte-americana contou com assistência técnica da Biblioteca Alexandrina de Alexandria, no Egito.
Bibliotecas nacionais e instituições culturais e educacionais do Brasil, China, França, Japão, México, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e diversos outros países contribuíram com conteúdos e expertise para formar a BDM.
Expandir o conteúdo não-ocidental na internet
A Fundação Biblioteca Nacional explica que um dos objetivos da BDM é expandir o volume e a variedade de conteúdos na internet de forma a prover recursos a educadores, pesquisadores e ao público em geral, além de capacitar instituições parceiras a reduzir a exclusão digital entre os países e dentro deles.
Segundo a Unesco, em muitos países em desenvolvimento pouco tem sido feito para digitalizar coleções e disponibilizá-las na internet. O resultado é que a distribuição de material digital é irregular no que tange a regiões geográficas, culturas, línguas e tipos de instituição.
Outro motivo apontado pela Unesco foi a dificuldade de procurar e encontrar conteúdo semelhante em diversas línguas na web. Muitos recursos de busca e navegação, que pessoas jovens estão acostumadas a encontrar em sites comerciais, ainda não são oferecidos por páginas culturais e educacionais na internet, mantidas por bibliotecas, arquivos e outras instituições culturais.
A Unesco informa que os principais objetivos da BDM são promover a compreensão e a consciência internacional e intercultural, bem como expandir o conteúdo não-ocidental na internet. Segundo a Unesco, outro objetivo de médio prazo é oferecer conteúdo em línguas faladas por grandes parcelas da população mundial, como o hindu, japonês e o alemão.
Screenshot da página principal da Biblioteca Digital Mundial em portuguêsBildunterschrift: Screenshot da página principal da Biblioteca Digital Mundial em português
Patrimônio cultural de diferentes países
Com cartas, fotos e mapas digitalizados, entre outros documentos, a BDM funcionará em árabe, chinês, inglês, francês, português, russo e espanhol, mas terá conteúdos em vários outros idiomas.
Descrições de cada item e vídeos elaborados por curadores especializados contextualizarão os conteúdos com o objetivo de provocar a curiosidade dos usuários e incentivar estudantes e público em geral a saber mais sobre o patrimônio cultural de diferentes países, explicam os organizadores.
Do Brasil, segundo a Fundação Biblioteca Nacional, foram enviados para esta primeira fase da Biblioteca Digital Mundial 1,5 mil mapas raros dos séculos 16 a 18, além de 42 álbuns com cerca de 1,2 mil fotografias pertencentes à Coleção Thereza Christina Maria, doada pelo imperador D. Pedro 2° à Biblioteca Nacional.
Arquivos digitalizados dos patrimônios da humanidade do Programa Memória do Mundo da Unesco, à qual pertence a coleção de fotografias do imperador, também fazem parte do acervo da Biblioteca Digital Mundial.
Autor: Carlos Albuquerque
Revisão: Augusto Valente
Ética bibliotecária no contexto atual Francisco das Chagas de Souza
Resumo
Discute a temática referente à ética, tomando como referência as três últimas décadas do século XX. Considera que a discussão em andamento nos dias atuais permite enxergar que há uma predominância do entendimento da ética sob uma perspectiva meramente prática e de aferição de qualidade e de que sua simples invocação já seria sinal suficiente para se atingir a solução desejada de um problema de natureza intersubjetiva. Apresenta o entendimento de que o simples uso do termo ética nas áreas profissionais, como a biblioteconomia, não é suficiente para solucionar as questões éticas, pois sua excessiva invocação termina contribuindo para obliterar uma compreensão mais realista dos fatos, desumanizando quase totalmente o sentido ontológico da vida.